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sábado, 13 de abril de 2013

Redação

Vanguardas Europeias

A estruturação do parágrafo

 Temos a noção de quão importante é a estruturação dos parágrafos, que permitem que o pensamento seja distribuído de forma lógica e precisa, com vistas a permitir uma efetiva interação entre os interlocutores. Obviamente que outros fatores relacionados à competência linguística do emissor participam deste processo, entre estes: pontuação adequada, utilização correta dos elementos coesivos, de modo a estabelecer uma relação harmônica entre uma ideia e outra, dentre outros.
Esteticamente, o parágrafo se caracteriza como um sutil recuo em relação à margem esquerda da folha, atribuído por um conjunto de períodos que representam uma ideia central em consonância com outras secundárias, resultando num efetivo entrelaçamento e formando um todo coeso. Quanto à extensão, é bom que se diga que não se trata de uma receita pronta e acabada, visto que a habilidade do emissor determinará o momento de realizar a transição entre um posicionamento e outro, permitindo que o discurso seja compreendido em sua totalidade.
Em se tratando de textos dissertativos, normalmente os parágrafos costumam ser assim distribuídos:
* Introdução – também denominada de tópico frasal, constitui-se pela apresentação da ideia principal, feita de maneira sintética e definida pelos objetivos aos quais o emissor se propõe.
* Desenvolvimento – fundamenta-se na ampliação do tópico frasal, atribuído pelas ideias secundárias, reconhecidas na exposição dos argumentos com vistas a reforçar e conferir credibilidade ora em discussão.
* Conclusão – caracteriza-se pela retomada da ideia central associando-a aos pressupostos mencionados no desenvolvimento, procurando arrematá-los de forma plausível. Pode, na maioria das vezes, constar-se de uma solução por parte do emissor no que se refere ao instaurar dos fatos.
Quanto aos textos narrativos, os parágrafos costumam ser caracterizados pelo predomínio dos verbos de ação, retratando o posicionamento dos personagens mediante o desenrolar do enredo, bem como pela indicação de elementos circunstanciais referentes à trama: quando, por que e com que ocorreram os fatos.
Nesta modalidade, a ocorrência dos parágrafos também se atribui à transcrição do discurso direto, em especial às falas dos personagens.
Referindo-se aos textos descritivos, sua utilização está relacionada pela minuciosa exposição dos detalhes acerca do objeto descrito, representado por uma pessoa, objeto, animal, lugar, uma obra de arte, dentre outros, de modo a permitir que o leitor crie o cenário em sua mente.
Colaborando na concretização destes propósitos, sobretudo pela finalidade discursiva – visando à caracterização de algo –, há o predomínio de verbos de ligação, bem como do uso de adjetivos e de orações coordenadas ou justapostas.

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Interpretação textual

Interpretação textual... Eis que nos deparamos com um assunto cuja relevância é indiscutível, dada a habilidade da qual devemos dispor uma vez imersos na condição de interlocutores. A começar pelo substantivo “interpretação”, oriundo do verbo interpretar, ou seja, analisar, compreender. Sim, compreender todo e qualquer discurso levando em consideração a essência, a ideia principal, ora traduzida por meio das palavras.
Por certo, tal tradução se efetivará se essas palavras não representarem para você apenas mais um emaranhado de ideias, incompreensíveis, obscuras, ofuscadas, enfim, não interpretáveis. Nesse sentido, torna-se necessário que antes de tudo você compreenda que toda linguagem, seja ela qual for, possui uma finalidade, um objetivo a cumprir. Ou seja, aquilo que o emissor se dispôs a elaborar não foi por acaso, pois ele realmente deseja obter a compreensão acerca daquilo que profere. Assim, o que pretende um humorista ao proferir uma anedota, um repórter ao produzir uma notícia, um anunciante ao deixar à mostra um panfleto, um fabricante ao elaborar um manual de instruções, um escritor ao produzir uma obra literária? Em todas essas circunstâncias se faz nítida a finalidade discursiva impressa na mensagem. 
Em face dessa realidade, diante de um texto você pode começar observando o título, uma vez que esse começo pode revelar grandes pistas acerca do assunto retratado. Em seguida, a ideia principal pode estar representada já no primeiro parágrafo. Para detectá-la, não somente nesse primeiro parágrafo, mas também nos seguintes, é necessário identificar a ideia-síntese de cada um deles, sobretudo checando as palavras-chave. Assim procedendo, torna-se bem mais fácil fazer a conexão existente em cada uma dessas partes, assim mesmo, todas entrelaçadas e justapostas entre si, formando um todo lógico e coerente. 
Outros aspectos, não menos importantes, dizem respeito aos conhecimentos relacionados aos fatos linguísticos e ao conhecimento de mundo, ou seja, as inferências que devem ser feitas diante de uma determinada expressão, de um determinado fato citado.
Um simples sinal de pontuação, como é o caso do uso de uma vírgula, pode ser decisivo para explicar o que pretende o emissor, dado o fato de tal recurso ser, muitas vezes, uma questão de estilo, de efeito a ser obtido e, sobretudo, decifrado. Também podem ser mencionados os demais sinais, as conjunções (sobretudo as adversativas), as relações de significado existente entre as palavras, enfim, muitos são os aspectos que prevalecem nesse momento.
E as inferências, qual o atributo a elas dado? Saiba que, não raras as vezes, o discurso não se mostra assim, tão às claras, isto é, por trás dele há uma intertextualidade, uma alusão, há outro aspecto que exige uma habilidade necessária para fazer determinadas “conexões”, digamos assim, entre as ideias abordas no discurso – aspecto esse que somente se torna materializado mediante o conhecimento de mundo, da realidade que nos cerca, dos quais devemos sempre dispor.
Com base em todos os pressupostos aqui elencados, gostaríamos ainda de fazer uma ratificação, com vistas a conscientizá-lo (a) acerca de uma realidade inquestionável: toda palavra, seja ela qual for, não se concebe como vã, sem significado, haja vista que possui um sentido, cabendo a você, em especial, decifrá-la em toda a sua essência.

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O uso da vírgula e seus pré-requisitos

Caso quiséssemos atribuir o uso da vírgula a cada pausa retratada pelo falante, concluiríamos que nossa pretensão se mostra aquém das reais possibilidades. Fato este decorrente das diferenças que se acentuam entre a fala e a escrita, visto que a riqueza melódica da oralidade não se compara ao convencionalismo da escrita.
A linguagem oral, via de regra, torna-se mais isenta de postulados pré-estabelecidos, posto que se condiciona a traços individuais do próprio emissor, cabendo a ele atribuir as possíveis entonações no momento em que achar convenientente. Ao passo que na linguagem escrita, tais pretensões estão sujeitas a normas que, indiscutivelmente, precisam estar em consonância com nossos conhecimentos. Para tanto, seguem em evidência algumas considerações dignas de nota, as quais se pautam por retratarem os casos em que se materializa ou não o uso da vírgula.
Circunstâncias em que usamos a vírgula:
a) Para isolar topônimos (nomes próprios relacionados a um determinado lugar), seguidos de sua respectiva data.
Ex: Maceió, 12 de fevereiro de 2009.
b) Separar orações coordenadas assindéticas (isentas de conectivos que as ligue).
Ex: Ao iniciar a reunião todos se apresentaram, começaram a discutir os assuntos pertinentes, chegando a um consenso muito antes do esperado.
c) Separar orações coordenadas sindéticas iniciadas pelas conjunções adversativas, alternativas, conclusivas ou explicativas.
Exemplos:
* Precisava urgentemente se decidir, ou somente trabalhava, ou estudava.
* A aluna obteve a primeira colocação nas olimpíadas de Matemática, logo se preparou muito para tal.
* Não me sinto preparada para esta viagem, pois tive que decidir rapidamente.
* Sinto-me honrada com suas desculpas, porém nossa amizade não será mais a mesma.
d) Isolar expressões explicativas, corretivas ou continuativas, uma vez representadas por: isto é, por exemplo, ou seja, aliás, dentre outras.
Exemplos:
* A violência social é um fato grave, ou melhor, assustador.
* Pretendo despachar os documentos em breve, isto é, na próxima semana.
e) Separar apostos e vocativos em uma oração.
Exemplos:
* Marcos, traga seu certificado assim que puder, pois preciso entregá-lo ao Departamento de Pessoal.
* Marta, irmã de Pedro, casou-se ontem.
f) Separar um adjunto adverbial, antecipado ou intercalado entre o discurso.
Exemplos:
* Naqueles tempos, havia uma maior interação entre as pessoas.
* Sem que ninguém esperasse, repentinamente, ela apareceu.

g) Isolar algumas orações intercaladas.
Ex: Precisamos, pois, estarmos atentos a tudo que acontece.
h) Isolar um complemento pleonástico antecipado ao verbo.
Ex.: Aos insensíveis|, por que não ignorá-los?
O.D. pleonástico
i) Indicar a supressão de um verbo subentendido na oração (recurso linguístico caracterizado pela elipse):
Ex.: Grande parte dos alunos estava trajada de Country; Patrícia, de caipira.
(A vírgula indica a supressão da locução verbal – estava trajada)
j) Separar termos coordenados em uma oração.
Ex: Aos domingos, reuniam-se todos os filhos, genros, noras, netos e bisnetos para uma agradável confraternização familiar.
l) Separar orações subordinadas adjetivas explicativas.
Ex: Santos Dumont, que é considerado o pai da aviação, foi o inventor do 14 Bis.
m) Separar orações adverbiais (desenvolvidas ou reduzidas), sobretudo, quando estas se antepuserem à oração principal.
Exemplos:
* Ao chegar em casa, percebi sua apreensão.
* Caso queira conversar comigo, avise-me antecipadamente.
Casos em que não se recomenda o uso da vírgula:
Não se usa a vírgula para separar termos que, do ponto de vista sintático, estabelecem diretamente uma ligação entre si. Eis as seguintes ocorrências:
a) Para separar sujeito do predicado.
Ex: Os alunos| estão todos eufóricos à espera dos resultados.
Sujeito               Predicado
b) Entre o verbo e seus complementos (objeto direto e indireto), mesmo que o objeto indireto se anteponha ao objeto direto.
Ex: Entreguei |aos clientes| os pedidos.
                          O. Indireto     | O. Direto.
c) Entre o nome e o adjunto adnominal ou o complemento nominal.
Exemplos:
* Seu relógio de pulso foi apreciado por todos.
                        Adjunto Adnominal
* Você tem amor à profissão.
                                Complemento Nominal
d) Entre a oração subordinada substantiva e a principal.

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